Autocuratela
18/01/2026
Tentar recordar quem foste,
para não esquecer quem és.
É duro.
Para quem o vive… e para quem acompanha.
É curioso, mas construímos a nossa vida a pensar que essas variáveis não nos vão tocar.
Vão tocar a outros.
Um acidente, uma doença neurodegenerativa, ou qualquer outra circunstância que nos impeça de tomar decisões, não se escolhem.
Mas acontecem.
Ignorar o risco não o elimina,
a única coisa que consegues é que te apanhe sem um plano.
A autocuratela é esse plano.
- Um passo a passo feito sem generalidades.
- Seguindo as tuas próprias regras.
- Implica decidir hoje o que queres que aconteça, caso amanhã não o possas fazer.
Porque a tua vida pode mudar de um momento para o outro, sem aviso.
Se algum dia você tiver uma enfermidade que o(a) faça ser dependente:
- Queres ficar em casa ou ir para uma residência?
- Gostarias de continuar a ouvir música clássica todas as tardes?
- Quem é a pessoa mais responsável para gerir o teu património?
Felizmente, há alguns anos que já não se incapacita ninguém.
Agora prestam-se apoios.
A autocuratela é um procedimento em que se deve:
- avaliar e ouvir.
- Tanto a pessoa com deficiência como o seu entorno.
Porque nenhum procedimento legal deveria poder substituir a tua própria vontade. E a autocuratela torna isso possível.
Abandonemos essa ideia de que a autocuratela:
- Atrai a doença.
- É um documento inútil.
O que realmente faz é:
- Dar-nos voz e voto para continuarmos a escrever a nossa história.
- E talvez o mais importante, libertar a nossa família do peso de decidir.