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Comunhão de adquiridos: Partilhar tudo por defeito nem sempre é boa ideia.

Comunhão de adquiridos: Partilhar tudo por defeito nem sempre é boa ideia.

10/01/2026

Há 3 coisas sobre as quais deveríamos falar antes do “sim, aceito”:

  • Se preferimos a tortilla com ou sem cebola.
  • Se queremos ter filhos.
  • E como vamos organizar o nosso património.

Isto último é o que se conhece como regime económico matrimonial.

E há sempre um.

A diferença está em se és tu que o escolhes ou se é a lei que escolhe por ti.

Em Espanha, existem diferentes opções.

A comunhão de adquiridos é uma delas.

Spoiler: é o regime que se aplica por defeito em grande parte do território.

Como funciona?

O que existe antes, regra geral, mantém-se como está.

Ou seja, se já tinhas uma casa… é tua e de mais ninguém.

Mas, a partir do casamento, a coisa muda.

Porque o casal começa a funcionar como uma equipa de futebol: todos juntos.

  • O salário passa a ser comum.
  • A empresa fundada durante o casamento é comum.
  • Os imóveis adquiridos são comuns.
  • E as dívidas contraídas também.

É um sistema que pode funcionar quando:

  • Há uma ideia clara de “estamos juntos em tudo”.
  • Um dos dois reduz ou abandona a sua carreira para cuidar da família.
  • Não existem riscos económicos relevantes.

Nestes casos, é um regime que protege e equilibra.

Quando começam os problemas?

Basicamente em 2 situações:

  1. Quando não é um regime escolhido, mas sim aplicado por defeito.
  2. Quando não se conhecem as consequências de partilhar “quase tudo”.

Definir as regras do jogo antes de o jogo terminar é sempre o mais inteligente.

Porque a vida a dois é tudo menos estática.

O erro mais habitual.

A maioria das pessoas só pensa no que significa estar em comunhão de adquiridos quando:

  • Há uma rutura.
  • Surge uma dívida.
  • Ou entra em cena uma herança.

E então já não se decide com calma nem com critério.

Uma nota importante.

Comunhão de adquiridos não é sinónimo de justiça ou equilíbrio.

É uma forma concreta de repartir riscos e benefícios.

Pode ser muito justa em determinadas situações.

E profundamente inadequada noutras.

O importante é que faça sentido para ti.

Que seja coerente com a vossa forma de viver.

A paz de espírito assina-se antes de ser necessária.

Não falar sobre isto com o teu parceiro.

Ou deixar que a lei decida por vocês é um disparate, por onde quer que se olhe.

Comprarias um fato de tamanho único para o dia do teu casamento?

Não, pois não? Com o teu património, a resposta deveria ser a mesma.

Se ao leres isto percebeste que tens uma conversa pendente, este é o melhor momento para a ter.

Uma decisão tomada a tempo pode evitar muitos conflitos.