Vamos morrer
10/01/2026
Isto é a única coisa que sabemos a 100% que vai acontecer.
E, ainda assim, vivemos como se fôssemos imortais.
Planos para daqui a 5 anos, poupanças para “aquela viagem”…
Estamos constantemente a adiar:
- decisões.
- conversas.
Como se o tempo estivesse garantido.
Esquecemo-nos do que temos e do que podemos fazer… agora.
Em minha casa evitou-se falar da morte durante anos.
Havia uma espécie de pensamento interiorizado:
“Se eu não falar disto, não vai acontecer.”
Mas a morte chega.
E quando chega, não estás preparado,
nem o tempo cura tudo.
Com o tempo, o que acontece é que aprendes a viver com a memória.
Assumir a finitude da vida é difícil.
Em parte porque é algo que escapa ao nosso controlo.
No entanto, embora não possamos decidir quando, podemos decidir como o faremos.
Fazer testamento é isso: decidir como queres que a tua história continue.
É evitar que:
- O teu parceiro, em pleno luto, tenha de estar a recolher documentação.
- Que os teus filhos esperem meses para aceder a algo que já é deles.
- Que uma dúvida se transforme numa discussão.
Os trâmites não respeitam a dor.
E nesses momentos, o que se precisa é de tranquilidade…
não de incerteza.
A morte gera uma sensação muito íntima de perda.
No entanto, há algo que todos partilhamos: nesse momento, precisamos de estrutura e clareza.
O testamento é isso:
- Ordem no meio do caos.
- Um guia que diz:
- Isto é o que eu quero.
- Mas, acima de tudo, isto é o que eu não quero.
É cuidar do que mais amas quando já não estás.
Poder decidir é o maior grau de liberdade a que podemos aspirar.
Por isso, nunca deveríamos deixar isso nas mãos de um estranho.
E é isso que acontece se não fazes testamento:
- A lei decide por ti.
- E a lei aplica regras… mas não o teu critério.
Sou uma grande defensora das perguntas…
Mas aqui acredito que é importante oferecer respostas e, acima de tudo, certezas.
Sabes quais são as principais preocupações que temos antes de morrer?
- Arrepender-nos do passado… do que não fizemos.
- E preocupar-nos com o futuro dos nossos.
A incerteza gera medo.
E o medo paralisa, tolda o nosso critério.
Porque quando não estás bem, não decides bem.
- O que acontecerá aos teus filhos quando já não estiveres?
- O teu parceiro poderá desfrutar da casa de praia?
- Quem irá gerir as tuas contas, a tua empresa ou o apartamento que tens arrendado?
- Como podes garantir que o património que criaste para os teus filhos não acabe nas mãos da pessoa errada?
Ninguém conhece a tua vida melhor do que tu.
Por isso, ninguém melhor do que tu para decidir sobre ela.
Proteger desde hoje o futuro dos teus é inteligente.
Mas, acima de tudo… é um ato de amor.
A tranquilidade não se improvisa, desenha-se.